ARTIGO
ESPECIAL
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Título
do artigo: A atuação
da fisioterapia na Copa do Mundo
Indicação:
Professora
Mestre Michelle Faria
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Entrevista
realizada com Luiz Rosan, fisioterapeuta da Seleção
Brasileira de Futebol
Luiz Rosan é um dos mais respeitados fisioterapeutas
na área de medicina esportiva no Brasil e no mundo, coordenando
atualmente o REFFIS (Reabilitação Esportiva, Fisioterápica
e Fisiológica) do São Paulo Futebol Clube e também
o departamento de fisioterapia da Seleção Brasileira
de futebol.
A modernização do esporte mostra ao torcedor que
o trabalho de um clube de futebol vai além da contratação
e montagem de um time.
A estrutura para recuperação de atletas, bem como
a prevenção de lesões, tem-se mostrado
tão ou mais importante que as demais áreas.
Veja a entrevista realizada pelo site de esportes : http://jornalismofc.com/
com o mais importante fisioterapeuta do Brasil na atualidade.
Nessa breve entrevista Luiz Rosan conta aos torcedores como
é o seu trabalho e esclarece como funciona a política
para o tratamento de atletas que não pertencem ao clube.
Fabiano:
Rosan, conte-nos sobre sua formação acadêmica.
Luiz Rosan: Sou formado pela Universidade Metodista
de Piracicaba (UNIMEP).
Fabiano: Quando houve o interesse pelo trabalho
com a medicina esportiva?
Luiz Rosan: Já no primeiro ano de faculdade,
interessei-me pela área esportiva, e sempre que podia,
aproveitava para ir ao XV de Piracicaba oferecer ajuda para
os atletas lesionados.
Foi quando percebi a carência dessa área nos times
de futebol, e que nós, como fisioterapeutas, poderíamos
ocupar um espaço para contribuir e agregar subsídios
importantes, que ajudassem o clube e atletas.
Fabiano: Já trabalhou com outros esportes?
Luiz Rosan: Não.
Fabiano: Em qual clube iniciou sua trajetória
no futebol?
Luiz Rosan: No próprio São Paulo
F. C. na década de 80.
Fabiano: Quando houve a percepção
no São Paulo Futebol Clube sobre a importância
de prevenir e recuperar os atletas?
Luiz Rosan: O SPFC sempre valorizou esta área,
talvez agora ela tenha sido exposta de uma maneira mais evidente.
Desde a minha primeira passagem pelo clube nós já
havíamos contribuído com a execução
do Centro de Fisioterapia e Fisiologia do Exercício do
Esforço, onde procurávamos prevenir e reabilitar
as lesões do esporte da modalidade futebol aceleradamente.
Apesar de já transcorrerem duas décadas, o clube
sempre investiu nessa área.
Foi o primeiro a importar um equipamento isocinético
em 1984, e já colocava à disposição,
nessa época, os seus recursos de fisioterapia para os
clubes do interior do estado, sempre gratuitamente.
O SPFC já era referência em fisioterapia desde
essa época.
Sempre socorreu os clubes quando solicitado. Recordo que o C.A.
Bragantino mandava seus atletas se reabilitarem no TRICOLOR.
Eu mesmo conheci o Mauro Silva, por exemplo, através
da fisioterapia do SPFC. Atletas como o tenista Luiz Mattar
(o principal tenista brasileiro da época) procuravam
a fisioterapia do SPFC quando lesados. Na verdade estou querendo
dizer que isso não é novidade, talvez seja apenas
uma conseqüência com maior exposição
de mídia.
Fabiano: Você fez parte da concepção
do que hoje conhecemos como REFFIS?
Luiz Rosan: Neste meu retorno ao clube em 2003,
idealizei o projeto REFFIS. Foi um árduo trabalho de
seis meses, desde a implantação até a inauguração.
Reitero que foi projetado para as necessidades básicas
do SPFC, onde o clube não colocou um centavo sequer,
teve custo “zero”.
Como eu acreditava no mesmo sai à luta e fui em busca
de patrocínio, sempre com o aval da diretoria tricolor.
Ouvi muito NÃO, mas não desisti, e enfim consegui
no segundo semestre de 2003. Foi surpresa para todos, penso
que até a diretoria, mas eu acreditei sempre.
Fabiano: O sucesso internacional do São
Paulo na recuperação de atletas despertou a inveja
de outros grandes clubes brasileiros. O Santos Futebol Clube
criou o CEPRAF (Centro de Excelência em Prevenção
e Recuperação de Atletas de Futebol), mas como
sabemos alguns problemas com a cessão de equipamentos
e a saída de profissionais acabou prejudicando o trabalho.
Qual o principal foco que um clube deve ter se quiser seguir
o exemplo do São Paulo?
Luiz Rosan: Quem sai na frente leva vantagem,
e o REFFIS largou na frente junto com o SPFC. Agora os outros
terão que correr atrás, e nós nos aprimorarmos
para mantermos sempre a qualidade e a excelência do trabalho
realizado. Para viabilizar um projeto assim, em princípio,
o primeiro passo é buscar “parcerias”, devido
aos altos investimentos. Em segundo lugar, formatar protocolos
que ajudem na recuperação acelerada dos atletas.
O resto vem por conseqüência.
Fabiano: Quando surgiu o convite para ser o
fisioterapeuta da seleção? Quem paga seu salário
quando serve a CBF?
Luiz Rosan: Em 1998, logo após o término
da Copa do Mundo. E somos convocados o que faz supor que o clube
em que estamos vinculados é que pagam nossos salários.
Fabiano: Todos sabem a dificuldade que a comissão
técnica da Seleção Brasileira tem ao reunir
os atletas para um trabalho num curto período de tempo,
quando se trata de amistosos ou jogos pelas Eliminatórias,
por exemplo. Não há tempo de prevenir ou mesmo
tratar lesões, quando se tem um grupo reunido 2 ou 3
dias antes de uma partida. Como é seu papel quando está
com a equipe “canarinho”?
Luiz Rosan: Procuramos no período de
convocação para os amistosos apenas atender às
principais queixas dos atletas. Às vezes para uma seqüela
de lesão, outras para atendimento da fase aguda de uma
lesão instalada, ou ainda dando prosseguimento a determinados
protocolos de fisioterapia iniciados com alguns meses de antecedência,
como por exemplo, em outro jogo que o atleta eventualmente tenha
participado.
Quando temos tempo suficiente para prepararmos para uma competição,
executamos uma avaliação criteriosa e promovemos
ao longo do período itens e baterias com recursos para
prevenir lesões ou promover melhoras de grupos musculares
específicos, que restabeleçam ou ajudem a melhorar
a performance do atleta.
Se durante a competição alguém se lesiona,
temos um arsenal de equipamentos que ajudam no restabelecimento
breve do atleta. Para isso contamos com alguns containeres pequenos
que nos acompanham durante as viagens.
É fato também que após a convocação,
seja para um ou dois jogos ou para uma competição
mais longa, fazemos um mapeamento dos atletas que irão
compor o grupo, observamos de que país vem, quais os
clubes, suas metodologias de trabalho etc.
Fabiano: Muitos atletas, ao conhecerem seu
trabalho, perguntam-lhe sobre a estrutura do São Paulo?
Luiz Rosan: Sim, a maioria já ouviu
falar da estrutura do SPFC, que muitas vezes é maior
que a dos grandes clubes da Europa!
Fabiano: Você atua como facilitador no
contato desses atletas e a diretoria do São Paulo, quando
esses precisam tratar-se fisicamente, como no caso mais recente
do meia Diego, do Werder Bremen?
Luiz Rosan: Primeiro que ele não vem
se tratar fisicamente. Todos que procuram o REFFIS são
porquê apresentam alguma lesão ou vem de alguma
cirurgia. Eles vêm em busca de FISIOTERAPIA. Dos atletas
que procuram o REFFIS, todos estão indistintamente à
procura da fisioterapia, em busca de reabilitação
para voltar às atividades funcionais normais.
Já atendemos mais de 70 atletas profissionais ao longo
desses últimos quatro anos, e nenhum em busca de condicionamento
físico (exceção feita ao Adriano, que foi
um caso especial). Nosso banco de dados conta com mais de 110
pacientes (fora os que pertencem ao próprio SPFC), sendo
a grande maioria derivada da modalidade futebol. Isso não
significa que não tenhamos condições para
atender as outras modalidades, mas damos preferência a
jogadores de futebol, porque o REFFIS foi feito para eles.
Já ouvi dizer que o SPFC é aliciador de jogadores
através do REFFIS, agora vos pergunto:
Dos 73 atletas profissionais que o REFFIS atendeu apenas quatro
ficaram no São Paulo (Alex Silva, Luizão (quando
não pertencia a clube algum), Ricardo Oliveira e agora
o Adriano). É muito ou pouco? E os outros? Talvez seja
um percentual em torno de 5% se comparado ao grupo de atletas
de futebol profissional. Quando comparado ao grupo todo (empresários,
políticos, etc.) esse percentual deve ser em torno de
2 a 3%.
Quanto ao Diego, talvez pelo fato de conhecê-lo desde
os tempos de Santos Futebol Clube. Outra coisa para que fique
bem claro: sempre peço autorização à
diretoria do clube, para realizarem o tratamento no REFFIS.
Fabiano: O Adriano talvez seja o atleta mais
“famoso” a tratar-se no REFFIS, embora não
tenha tido nenhuma lesão. Já houve algum contato
ou possibilidade de uma grande estrela internacional do futebol
tratar-se no São Paulo?
Luiz Rosan: Não nos importamos com o
nome do paciente e sim com o sucesso da reabilitação,
portanto isso é insignificante para nós fisioterapeutas.
A fisioterapia aplicada será a mesma no paciente que
joga em um time menor ou naquele que joga em um time maior e
na Europa. Posso apenas lhe dizer que as maiores estrelas do
futebol mundial, principalmente os brasileiros, já passaram
por lá. Formaríamos pelo menos umas quatro seleções,
com alto poder de sucesso e vitórias.
Fabiano: Por último gostaria de parabenizá-lo
pelo excelente trabalho ao longo dos últimos anos, cujo
reflexo não são apenas as conquistas do São
Paulo Futebol Clube, mas também a volta ao trabalho de
grandes atletas do futebol brasileiro e internacional.
Espero que futuros profissionais possam inspirar-se em você,
para que tenhamos o futebol brasileiro sempre em primeiro lugar
no cenário mundial.
Luiz Rosan: Obrigado.
Costumo dizer que esse país é respeitado lá
fora quando o assunto é futebol. Nós somos primeiro
mundo quando se trata de futebol e é quando nos igualamos
com os grandes centros europeus. A fisioterapia esportiva brasileira
já é vista com olhos diferentes, mas estamos apenas
no começo. Um procedimento, um programa fisioterapêutico
no futebol moderno, pode mudar a história dos níveis
de prevenção, aceleração e tratamento,
atingindo objetivos concretos, antes inimagináveis e
impossíveis, e com isso todos saem ganhando: clube, atleta,
torcida e profissional da área.